sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Quem sabe um dia...

http://cultura.updateordie.com/educacao/2010/01/25/como-planejar-para-escrever-seu-livro-parte-1/

Espada

São dois cortes.

Abdicar da proteção permite a cor sair.
E ainda mais dor entrar.

Habituada a ofensas estava. Caleja-se a pele por conta delas.
Sem armadura, seria impossível sobreviver a tantos golpes.

Escolhi mudar, porém.
Escolhi um vestido de flores, uma presilha colorida e uma sandália rasteira.

Não arrependo. Compreendo.

Foi assim que tudo começou.
Eu não poderia andar sangrando por aí, e me fiz casca. Casca de ferida, feia, sensível, dolorida.

Por entender, poderia fazer diferente desta vez.
Não preciso mais do escudo de medo, do escudo da infância.
Poderia encarar e perguntar: por quê?

Por que você é agressiva comigo?
Por que você me ofende?
Por que você precisa dessa estúpida demonstração de poder?

Mas vou fugir de novo. Não sei fazer diferente.
Vou para minha caverninha.
Chorar até secar. Chorar até me dar vontade de rir.

Não vestirei a carapaça. Não estou em guerra.
Só quero ficar longe do seu alcance.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

PANAPANA

Há vezes que uma simples pergunta faz pensar tanto...
Veio ela com mais uma daquelas: "Qual é mesmo o coletivo de borboleta? Ele não vinha naquela nossa listinha da escola?"
Acredito que lembraria de panapana. Assim como lembraria de ver um cardume de borboletas.
Acho que não se divulga porque não se usa. Não é dioturno encontrar um panapana por aí.
Sim sei. Noto-as. Alegram-me.
Geralmente sós ou ao par. Nunca em panapana.
Seria vingança da lagarta recalcada?
Seria liberdade?
Seria necessidade imposta bela breve vida de um dia?
Quero ser um panapana.

sábado, 24 de outubro de 2009

Na minha casa esta escuro porque eu fechei as cortinas.
Mas aqui dentro eu não sei.
Estou aberta. Olhos abertos. Peito aberto. Boca escancarada.
E escuro.
A mão que aperta o peito. Pensei que a havia visto acenar.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Desculpe

se eu não tenho nenhuma carência a compartilhar.
Eu não preciso da sua atenção. Aliás, nem quero. Cansa-me.
Desculpe se eu não consigo compartilhar a sua carência.
Eu preciso ficar só. Eu gosto.
Eu sinto muito. Só não sinto nenhuma vontade de estar por perto.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Adaptação

...

Cinco anos mais novo e nunca havia amado antes. Imagine só! Um grande romântico adormecido.
Acabei percebendo que eu também não amava há anos!
Estranho? Também achei.
Sim, vivia apaixonada. Pulando de paixão em paixão como Peter Pan. "O que mais há de haver além de lutas de espada e vôos noturnos?".
Acontece que quando a gente acredita percebe logo o quanto havia mentido. Pra ninguém mais além de mim, é tão claro.
Sempre namorei, certo. Mas sempre namorei com a certeza de que acabaria, de que mais dia ou menos outro cheiro me levaria embora.
E agora me pego aqui a me reencontrar, a me aceitar, a querer seguir.
Eu confio nele! Eu confio em nós dois juntos! Isso é maior que tudo.
Já havia dito "eu te amo" para uma meia dúzia por aí, mas nunca havia sentido "eu confio em você".
Confio tanto que aceito desejar filhos; aceito namorar alguém que minha mãe aprova; aceito planejar algo para daqui há dois anos que já inclui a companhia; aceito acreditar em fidelidade, ainda que não como natural, mas como um desejo de cuidado; aceito ser feliz, sonhadora, confiante.

...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

While I don´t become a better reader...

Doing these things can help you become a better writer:
1. Become a blogger.

2. Use self-imposed word limits.

3. Accept all forms of criticism and learn to grow from it.

4. Read what you’ve written over and over, until you can’t find any more problems.

5. Show what you write to a trusted friend for feedback.

6. Outline. And then write to that outline.

7. Edit, and edit again.

8. Live with passion.

9. Be open, curious, present, and engaged.

10. Take a break between writing and editing.

11. Learn a new word a day.

12. Get the pen and fingers moving.

13. Write in different genres: blog posts, poems, short stories, essays.

14. Read grammar books.

15. Write without distractions.

16. Challenge yourself: write in a crowded cafe, write on the toilet, write for 24 hours straight.

17. Take a trip. Road trips, beach trips, bus trips, plane trips.

18. Watch movies. Can you write the story better?

19. Write. And then write some more.

20. Read, think, read, write, ponder, write – and read some more.

21. Read your stuff aloud to anyone who can stand it – including the cat.

22. Go back and cut 10% from your word count.

23. Talk to people.

24. Listen to how people talk.

25. Read lots of books. Both good and bad.

26. Make notes of your (fleeting) brilliant ideas.

27. Start your writing ahead of time – not hours before a deadline.

28. Listen to podcasts on writing tips.

29. Use simple, declarative sentences.

30. Avoid passive voice.

31. Limit your use of adjectives and adverbs.

32. When in doubt, cut it out.

33. Kill clunky sentences.

34. Be inspired by other art forms – music, dance, sculpture, painting.

35. Read your old stuff and acknowledge how far you’ve come – and how far you have to go.

36. Write for publication, even if it’s only for the local newsletter or a small blog.

37. Make writing your priority in the morning.

38. Keep squeezing words out even if you feel uninspired.

39. Tell everyone: “I’m a writer.”

40. Recognize your fear and overcome it.

41. Let your articles rest and then return to them with fresh eyes.

42. Comment on your favorite blogs.

43. Keep a journal to keep the writing juices flowing.

44. Use a journal to sort out your thoughts and feelings.

45. Keep it simple.

46. Practice monotasking. Set a timer for uninterrupted writing.

47. Watch people.

48. Get to know someone different from you and reflect on the experience.

49. Try new ideas or hobbies – the more variety you have in your life, the more likely you are to keep on generating good ideas on the page.

50. Read works from different cultures. It helps keep your writing from tasting stale in the mouths of your readers.

51. Rethink what is ‘normal’.

52. Work on brilliant headlines.

53. Check if your assumptions are right.

54. Join a writing group. If you can’t find one, form one.

55. Write during your most productive hours of the day.

56. Designate time to research.

57. Take time to muse and mindmap.

58. Map out a writing schedule for your project and stick to it.

59. Ask someone else to proofread.

60. Read Zinsser’s “On Writing Well” at least once a year.

61. Break out of your comfort zone.

62. Write at the scene. If you want to write about a beach, get a picnic rug and go write by the sea.

63. Go to the supermarket, the ball game, the class room, the building site. Make notes of the sensuous details, the atmosphere, the people.

64. Start with metaphors and stories.

65. Approach writing with gratitude, not just with a ‘must do this’ attitude.

66. Deconstruct and analyze books and articles you enjoy.

67. Know about story architecture. Many writers don’t. Which is like doing heart surgery or flying an airliner by intuition. Survival rates are low.

68. Socialize with other writers.

69. Stretch or exercise in between writing.

70. Make a note of ideas for further development before you leave a piece for tomorrow.

71.Use mindmaps for inspiration.

72. Take risks – don’t be afraid to shock. You are not who you think you are.

Daqui: http://www.copyblogger.com/better-writer/

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Postais do Passado

Era 2113 quando os postais voltaram à moda.

Com o desaparecimento do papel, claro, eles também sumiram.
Contam que o primeiro a sair de circulação foi o jornal. Apostavam alguns que seria impossível todos trocarem o gosto de ter os dedos sujos de tinta na mesa do café pela leitura iluminada no computador do escritório. Em verdade, todos mostraram-se tão individualistas e apressados como se anunciava: aceitaram o jornal personalité, mais um serviço voltado para o multifuncional celular. Quem lê tanta notícia, afinal?
As revistas tornaram-se folheáveis por senhas digitadas em qualquer mídia conectada ao mundo virtual.
As cartas? Como escrever a mão quem se alfabetizou digitando?
Sobraram embalagens, e só. O plástico, enfim, também sumiu.

Mas foi em 2113 que Jonas, um daqueles formadores-de-opinião/lançadores-de-tendência (virou profissão), encontrou em um antiquário paulistano uma coleção de cartões-postais.
Perdeu-se o papel, o plástico, mas em tempo algum o saudosismo. Antiquários não sumiram, nem pessoas como Jonas deixaram de nascer.
- O que é isso? - perguntou ao senhor de 113 anos que sorria detrás do balcão.
- Cartões-postais, meu filho.
- E para que servem?
- Escrevia-se cartas breves no verso deles. Veja - disse virando o papel. Aqui colocava-se o endereço do destinatário e aqui uma mensagem rápida. Era para mandar um alô e fazer inveja aos amigos durante as viagens - afirmou com certo brilho lacrimejante no olhar.
- E já existiu lugar assim? O céu já foi desta cor? Isso é muito é photoshop.
- Não, filho. O céu já foi desta cor. O mar também. A areia. O mundo não era desta cor que você vê lá fora agora.
- Quanto custa a coleção?
- Filho, isto não tem preço.
- E por que o senhor expõe?
- Gostaria que alguém comprasse a idéia. Já no começo do século passado, na época que nasci, eles não eram assim tão usados. Eu, por acaso, sempre gostei, sempre comprei. E sempre tive saudades de ver palavras de amizades no verso de belas imagens.

Jonas passou a noite pensando nas palavras do velho. Tinha razão. Era uma boa idéia. Ótima talvez.
No raiar do novo dia, já sabia o que fazer. Rascunhou um projeto e encaminhou para os amigos fotógrafos-viajantes. Assim nasceram os postais de skyline.

Em 2113, uma das grandes diversões das ceias de natal foi juntar a família para mostrar seus postais e verificarem o conhecimento sobre as cidades do mundo.
Haviam ficado todas tão parecidas. Divertido confundir Istambul com Porto Alegre, Joanesburgo com Pequim, Paris e Nova Orleans.

Para 2114, Jonas decidiu ir um pouco mais. Agora seriam postais do passado. Pesquisou em museus virtuais, chorou, comprou direitos e publicou.
Aquele natal não foi tão divertido. Uma angústia tomou conta do peito daqueles que receberam imagens de outros tempos. Parece que foi ontem. E perguntou-se até quando haveria amanhã.
Nunca se viu beleza mais triste.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Escolhas e Não-Escolhas

Você pode escolher nadar contra ou a favor da maré. Pode estar em período de criar ou crescer.
Mas não pode escolher fugir do sobe-e-desce das marés. É em ondas, brandas ou intensas, que ele se faz. Não há firme.
Quem é de acostumar, em transe entra. Quem não é, põe para fora o que não consegue segurar.
Algum medo, a incerteza do percurso e o anseio do destino. Tudo que se tem.
E este mar, só ele de fato, tem embarcações e tripulantes.
É de bom augúrio aprender a navegar.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Caçador

"Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura"

Milton Nascimento